"Anacaona, também conhecida como Flor de Oro. Uma das Mães Fundadoras do Novo Mundo e a ameríndia mais linda do Planeta. (Os mexicanos têm Malinche e nós, dominicanos, ela.) Era a mulher de Caonabo, um dos cinco caciques que mandavam na nossa Ilha na época do "Descobrimento". Em seus relatos, Bartolomé de las Casas a descreve como "uma moçoila de notável prudência e autoridade, deveras cortês e agradável tanto no trato quanto nos gestos". Outras testemunhas fazem uma descrição bem mais sucinta: a mulher era gostosa e, além do mais, tinha espírito de guerreira. quando os Euros começaram a dar uma de Hannibal Lecter para cima dos tainos, mataram o marido da Anacaona (o que é outra história) e ela, como toda mulher guerreira que se prezasse, tentou organizar sua gente e resistir; no entanto, como os europeus eram o fukú original, não havia como impedi-los. Foi um Massacre atrás do outro. Ao ser capturada, Anacaona tentou negociar dizendo: "Matar não é honroso, e violência também não devolver honra. Temos que construir pontes de amor para inimigo atravessar, e pegadas deles vão servir de exemplo para povos." Acontece que os espanhóis não estavam tentando construir pontes. Após um julgamento fictício, enforcaram a corajosa Anacaona, à sombra de uma das primeiras igrejas de Santo Domingo. Fim.
Uma história comum que se ouve na RD (1) sobre essa guerreira é que, na véspera da sua execução, ofereceram-lhe a oportunidade de salvação: tudo o que tinha fazer era se casar co um espanhol que estava obcecado por ela. (Captou a tendência? Trujillo desejava as Irmãs Mirabal (2), e o Espanhol, Anacaona.) Basta fazer essa oferta para uma garota contemporânea da Ilha, que ela preencherá num segundo o formulário do passaporte. No entanto, dizem que a mulher de Caonabo, tragicamente da velha guarda, exclamou, Podem ir plantar batatas, caraspálidas! E esse foi o fim de Anacaona. a Flor de Oro. Uma das mães Fundadoras do Novo Mundo e a ameríndia mais linda do Planeta.
A Fantastica Vida Breve de Oscar Wao. Junot Diaz. Record. Rio de Janeiro, 2009.
(1) República Dominicana
(2) Mártires de la Resistencia al Régimen de Trujillo, al que en otro momento de la obra Diaz llama "culocracia".
Angelita Trujillo, hija del dictador, sobre las Hermanas Mirabal:
https://www.youtube.com/watch?v=u08klhabR3I
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