domingo, 12 de outubro de 2014

12 de Octubre: Anacaona. Junot Diaz (II). Literatura. Historia. Antillas. Santo Domingo. España

"Anacaona, também conhecida como Flor de Oro. Uma das Mães Fundadoras do Novo Mundo e a ameríndia mais linda do Planeta. (Os mexicanos têm Malinche e nós, dominicanos, ela.) Era a mulher de Caonabo, um dos cinco caciques que mandavam na nossa Ilha na época do "Descobrimento". Em seus relatos, Bartolomé de las Casas a descreve como "uma moçoila de notável prudência e autoridade, deveras cortês e agradável tanto no trato quanto nos gestos". Outras testemunhas fazem uma descrição bem mais sucinta: a mulher era gostosa e, além do mais, tinha espírito de guerreira. quando os Euros começaram a dar uma de Hannibal Lecter para cima dos tainos, mataram o marido da Anacaona (o que é outra história) e ela, como toda mulher guerreira que se prezasse, tentou organizar sua gente e resistir; no entanto, como os europeus eram o fukú original, não havia como impedi-los. Foi um Massacre atrás do outro. Ao ser capturada, Anacaona tentou negociar dizendo: "Matar não é honroso, e violência também não devolver honra. Temos que construir pontes de amor para inimigo atravessar, e pegadas deles vão servir de exemplo para povos." Acontece que os espanhóis não estavam tentando construir pontes. Após um julgamento fictício, enforcaram a corajosa Anacaona, à sombra de uma das primeiras igrejas de Santo Domingo. Fim.
Uma história comum que se ouve na RD (1) sobre essa guerreira é que, na véspera da sua execução, ofereceram-lhe a oportunidade de salvação: tudo o que tinha fazer era se casar co um espanhol que estava obcecado por ela. (Captou a tendência? Trujillo desejava as Irmãs Mirabal (2), e o Espanhol, Anacaona.) Basta fazer essa oferta para uma garota contemporânea da Ilha, que ela preencherá num segundo o formulário do passaporte. No entanto, dizem que a mulher de Caonabo, tragicamente da velha guarda, exclamou, Podem ir plantar batatas, caraspálidas! E esse foi o fim de Anacaona. a Flor de Oro. Uma das mães Fundadoras do Novo Mundo e a ameríndia mais linda do Planeta.
A Fantastica Vida Breve de Oscar Wao. Junot Diaz. Record. Rio de Janeiro, 2009.
(1) República Dominicana
(2) Mártires de la Resistencia al Régimen de Trujillo, al que en otro momento de la obra Diaz llama "culocracia".

Angelita Trujillo, hija del dictador, sobre las Hermanas Mirabal:

https://www.youtube.com/watch?v=u08klhabR3I

12 de Octubre: La Hispaniola! Junot Diaz (I).Literatura. Historia. Caribe. Santo Domingo. España

"Contam que veio da África, trazido pelos gritos dos escravizados: que se tratou de praga rogada pelo povo taino, enquanto um mundo perecia e outro nascia; que foi um demônio deslanchado na Criação quando do arrombamento do portão de tormentas nas Antilhas. Fukú americanus, vulgarmente conhecido como fukú -no sentido amplo, uma espécie de maldição ou condenação e, no estrito, a Maldição e a Condenação do Novo Mundo. Também conhecido como fukú do Almirante, já que esse oficial exerceu o papel de parteiro e foi uma de suas maiores vítimas do continente europeu; embora tivesse "descoberto" o Novo Mundo, o sujeito morreu indigente, de sífilis, ouvindo (dizem) vozes divinas. Em Santo Domingo, A Terra Mais Amada por Ele (que Oscar, no fim, denominou Ponto Zero do Novo Mundo), o próprio nome do almirante tornou-se sinônimo de dois tipos de fukú, o forte e o suave; citá-lo em voz alta ou até mesmo ouvi-lo atrairia desgraças para você e sua família. Seja lá onde viesse e como fosse chamado, comenta-se que a chegada dos europeus à Hispaniola desencadeou o fukú no mundo e, desde então, estamos todos na merda. Poder ser que Santo Domingo tenha sido o porto de entrada, o Quilômetro Zero da praga, mas agora, cientes ou não somos todos sua cria."

A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao. Junot Diaz. Record ed. Rio de Janeiro, 2007 

Junot Diaz nos Lee su Obra:
https://www.youtube.com/watch?v=E-i4aw_SY4o